19 fevereiro, 2012
Aleatório - Nem Freud explica.
- O que te trás aqui? Perguntou ela com um súbito interesse.
- Não sei ao certo por onde começar. Respondeu o garoto que parecia não está prestando atenção a nada que estivera acontecendo.
- Talvez, você devesse começar pelo começo, não acha não ?
- Talvez, sim.
Passados alguns minutos de silêncio constrangedor, ela tornou a falar.
- Então meu querido, seu tempo está passando, quando quiser começar a falar...
- É mais difícil do que você imagina, pra você é fácil, sentar ai e ouvir os problemas dos outros, como se a vida de todos dependesse de você.
- Não é tão fácil como você está imaginando. Eu sei que pode ser difícil para você falar sobre o que está sentindo, mas acredite em mim, isso irá te ajudar bastante.
- Eu sei disso. O problema é que eu não consigo sabe? Não consigo falar sobre isso.
- Leve o tempo que for necessário.
- Acho que já passou tempo demais, está na hora de reagir, mas não sei o que fazer. Não sinto nada. Ou melhor, sinto por tudo e isso está acabando comigo.
- Explique-se melhor para que eu possa te ajudar.
- Sinto como se eu fosse afundar em mim mesmo. Estou nadando em mares perigosos. E estou me afogando. Estou lutando contra dragões assustadores e estou perdendo. Estou perdido em um labirinto sinistro, cercado de coisas que eu nem sei nomear.
Ela ofereceu uma caixa de lenços para ele que já estava com os olhos cheios d'água.
- Tô perdido, estou só no meio de uma multidão. A vida passa por mim e eu não reajo, não porque eu não queira, não mesmo, mas porque eu não consigo. Não consigo ter uma atitude, não consigo levantar e agir contra o que está me colocando pra trás, na verdade eu nem sei o que é isso que está me puxando para a escuridão. É como se eu tivesse parado no tempo e a vida estivesse passando por mim e de vez em quando dando um tapa nas minhas costas para que eu acorde, para que eu reaja, para que eu viva e retorne o controle de tudo que está a minha volta, mas eu não consigo. Simplesmente não consigo.
- Sua sessão acabou, nos vemos na próxima semana, na mesma hora.
Os dois despediram-se com um aperto de mão. Ele saiu da salinha em que se encontravam, com um aperto no coração e esperanças de poder resolver seus problemas. Ela voltou para seu lugar e mandou o próximo cliente entrar.
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O autor
- Victor Adriano
- Um ser vindo de outro planeta, tentado aprender a como se comportar nesse lugar estranho e hostil. Um cineasta em formação e um escritor frustado.

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